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  <title>vida: coisa indefinida que so acontece uma vez.</title>
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  <updated>2006-10-11T21:49:21Z</updated>
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    <title>ela, a princesinha</title>
    <published>2006-10-11T21:40:54Z</published>
    <updated>2006-10-11T21:49:21Z</updated>
    <lj:music>black - pearl jam</lj:music>
    <content type="html">&lt;img src="http://i59.photobucket.com/albums/g304/etoilesophie/glow.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;ela sentia borboletas na barriga e cada "amo-te" era como uma corda apertada na garganta. e não havia diferença. era díficil perceber qual dos "amo-te" custava mais. o que se ouvia ou o que dizia. o coração batia muito. muito. muito. demais. tava cansada. e chorava à espera que aliviasse alguma coisa mas nada parecia parar. pelo contrário. tudo ficava cada vez pior e pior e pior. a princesinha queria ceder o reino. mas uma princesa não pode fazer essas coisas sem motivos aparentes. tem que explicar. e quando essa princesa é amada magoa pessoas. ela.. ela nao queria magoar ninguém. ela não queria ter que se esconder. e continuar a viver num mundo com cores e flores.</content>
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    <title>alfarrabista</title>
    <published>2006-10-11T19:10:53Z</published>
    <updated>2006-10-11T19:10:53Z</updated>
    <lj:music>sad - pearl jam</lj:music>
    <content type="html">o tempo passa devagar&lt;br /&gt;o vento arranha&lt;br /&gt;a chuva corroi&lt;br /&gt;o sol queima.&lt;br /&gt;e eu quero ser um livro.&lt;br /&gt;já.</content>
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    <title>etoilesophie @ 2006-10-02T15:24:00</title>
    <published>2006-10-02T15:09:05Z</published>
    <updated>2006-10-02T16:20:43Z</updated>
    <lj:music>grace - jeff buckley</lj:music>
    <content type="html">&lt;img src="http://i59.photobucket.com/albums/g304/etoilesophie/ela.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nenhuma palavra foi dita. mas sentiram-se milhoes de palavras ali. as cordas vocais vibravam mas não saía som. porque não era preciso? porque não o queriam? &lt;br /&gt;um olhar.&lt;br /&gt;o vento, o mar e os suspiros. &lt;br /&gt;depressa ficou quente e apesar de tudo ali ser desfocado e sem nenhuma certeza, quando abertos, os olhos brilhavam. e juntava-se à pouca luz que ali havia.&lt;br /&gt;estavam deitados lado a lado de mãos dadas. sentiam a relva a picar-lhes o corpo. mas continuavam sem dizer nada.&lt;br /&gt;déjà Vu.&lt;br /&gt;os corpos tinham-se juntado e trocavam beijos silenciosos e leves. as mãos continuavam dadas. eram amantes. uns amantes, sem palavras.&lt;br /&gt;já não sentiam a relva picar-lhes o corpo. cada toque e cada suspiro quente causava arrepios no corpo um do outro. olhavam para o mar e voltavam aquele mundo silencioso só deles, num abraço. &lt;br /&gt;Ele e Ela. Ela e Ele. silenciosos, simples. Eles. Uns amantes.</content>
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    <title>o jardim</title>
    <published>2006-06-22T16:42:04Z</published>
    <updated>2006-06-23T14:11:07Z</updated>
    <lj:music>Noah's Ark - CocoRosie</lj:music>
    <content type="html">era perfeito. Aquele Jardim. as estações mudavam nos dias certos e os sinais da sua mudança estavam todos lá. não era preciso um calendário, não era preciso um relógio, eu não me preocupava com nada quando lá estava. tinha muros de pedra altos cheios de heras trepadeiras que o cobriam e pintalgavam com flores roxas e amarelas. tinha árvores altas, árvores baixas, flores diferentes e incontaveis, mil bichinhos que se escondiam nas sombras e apareciam como fugazes aparições.&lt;br /&gt;   não havia preocupações... é verdade... os pássaros cantavam, o vento soprava e fazia duetos com as folhas das árvores fazendo os agudos e os graves e juntando tudo, faziam um teatro de sombras para mim. nas paredes onde as heras ainda não tinham chegado, faziam daquele bocadinho de pedra o seu cenário. eu ficava no banco antigo por onde ja tinham passado muitas histórias, muitos pensamentos, muitos segredos. a olhar. a pensar. a imaginar-te comigo naquele sitio que agora era só meu. mas tu não estavas lá. nunca irias acreditar que um lugar assim existia. mas eu amava-te mesmo quando não acreditavas naquilo que eu dizia do meu jardim. tu rias docemente e davas-me um beijo cheio de amor. acho que tinha a sensação que um dia irias ter ao meu jardim sem querer e ias pedir-me desculpa com um olhar tao bonito como quando no outono a chuva caía e fazia cair as folhas das árvores que amarelas e já sem vida caiam para dar lugar a outras folhas que iriam ser as guardadoras de mais mil segredos ditos em sussurros entre brisas e sombras naquele meu jardim. entretanto cresci. mas o meu jardim foi sempre o meu maior refúgio. era garantido. os teus beijos e abraços também o eram mas para mim tinham um fim triste e bonito. e era quando pensava nesse fim que automaticamente os meus pés andavam até ao lago que havia dentro do meu jardim. para mim aquele lago era feito das lágrimas dos amor mal acabados e mal vividos que por ali ja tinham passado. e quando eu ia juntar-me aquele lago, sentia-me menos sozinha, sentia que aquele lago era feito com coisas de que eu também era feita. &lt;br /&gt;   uma das vezes que lá estive no verão dormi uma tarde inteira debaixo de uma laranjeira em flor. adormeci com um cheiro bom de tudo aquilo que não havia longe dali. e sonhei contigo. comigo. como tudo podia ter sido perfeito. foste sempre o Meu Amor. mas fugiste e eu fiquei sozinha. e agora estou sozinha. tu estás longe e eu não sei nada de ti. mas apesar de viver e de me alimentar das nossas memórias já não sei o que és para mim agora. sei também que cada dia que acordo estou à espera do Teu bom dia. porque todas as palavras que eram ditas por ti, tinham algo especial, algo inagualável e são elas que ainda hoje quero voltar a ouvir. porque é que não voltaste? porque é que deixaste cair pó na tua sombra? porque é que ainda estou sozinha? porquê? &lt;br /&gt;   agora, tal como ontem e no dia antes, vou procurar-te. sim, eu ainda te procuro. no Meu Jardim. sei que um dia vais lá estar à minha espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://i59.photobucket.com/albums/g304/etoilesophie/flor.jpg" /&gt;</content>
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    <title>cheiro de livro</title>
    <published>2006-06-22T01:04:39Z</published>
    <updated>2006-06-22T01:04:39Z</updated>
    <lj:music>Bitches Brew - Miles Davis</lj:music>
    <content type="html">é tudo um desafio. ela sentia-se sozinha apesar de ser alguém cheia de amor. tanto para dar como para receber. como em todos os começos, não sabia onde tudo tinha começado. porque tudo pode ser motivo de um começo. uma ideia (segundo platão : objecto de contemplação pelo pensamento), um olhar, um toque, uma brisa, uma gota. na minha opinião, ela até sabia. mas não queria relembrar porque isso lhe doía mais que mil farpas em todos os dedos das suas mãos cansadas e ainda tão novas. então o que ela fazia era fugir e esconder-se em tudo o que achava com uma forma boa para dor e cobardia. ao esconder-se da dor e sendo cobarde ela era alguém que torturava e esganava quem vivia de volta dela, essa fuga infantil e completamente desesperada atingia quem mais gostava dela e quem ela mais gostava. cada passo nas falésias em padrão por onde andava era mais uma agulha "nos outros". mas tudo era simples e triste, tudo era apenas uma procura sem fim por amar como ninguém, retribuir o amor inexplicavel de alguém, de aproveitar tempo que nunca voltará atrás e de apagar erros que lhe custaram a felicidade, então ela foi andando, andando, andando, andando. chorou. talvez ela seja alguém tão doce como um favo de mel. mas e se o medo de cair e sufocar de tão apertado que fica o ar com o sofrimento que já sentiu se sobrepõe à vontade de mostrar essa doçura? e se ela preferir continuar a viver como um cubo de gelo tão transparente que parece aquecer em vez de gelar? e se já for uma obrigação por não aguentar mais a dor que causa? ela e o mundo dela. o mundo dela e ela. e depois vem tudo o que nele e nela existe. e isso, nunca ninguém compreenderá.</content>
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